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Frota antiga, crédito renovado: o que muda para as transportadoras com o Move Brasil 2

7 de maio de 2026

O governo federal anunciou a segunda etapa do Move Brasil, programa de incentivo à renovação da frota nacional de veículos de carga e passageiros. A nova fase chega com orçamento ampliado: serão R$ 21,2 bilhões disponíveis, somando recursos do Tesouro Nacional e do BNDES. A proposta amplia o acesso ao crédito e melhora as condições de financiamento para empresas de transporte e caminhoneiros autônomos.

Por que surgiu o Move Brasil 2

A primeira edição do programa, lançada no começo de 2026, disponibilizou R$ 10 bilhões apenas para financiamento de caminhões novos. A procura foi muito maior do que o esperado, e os recursos acabaram rapidamente, em cerca de dois meses.

Apesar da forte adesão das empresas, o governo identificou baixa utilização da linha voltada aos caminhoneiros autônomos. Isso levou à reformulação do programa, com mudanças nas regras de acesso e nas condições de pagamento para ampliar o alcance do crédito.

Segundo o governo, a renovação da frota busca reduzir custos logísticos, melhorar a eficiência operacional e diminuir impactos ambientais causados por veículos mais antigos.

O que muda para as transportadoras

A principal novidade para as empresas do setor é a ampliação dos veículos que podem ser financiados. Além de caminhões, o programa agora inclui:

  • ônibus;
  • micro-ônibus;
  • implementos rodoviários, como reboques e carrocerias.

Na prática, isso amplia as possibilidades para transportadoras de carga e empresas de transporte de passageiros.

Outro ponto importante está nas condições financeiras. O prazo de pagamento poderá chegar a dez anos, com até 12 meses de carência. Esse período permite que o veículo comece a operar antes do início das parcelas, ajudando no equilíbrio do caixa da empresa.

As taxas de juros também devem ficar menores em relação à primeira fase. A expectativa do governo é trabalhar com juros entre 11,3% e 12,4% ao ano, abaixo das linhas tradicionais de crédito para veículos pesados.

O limite de financiamento por cliente será de até R$ 50 milhões, permitindo que empresas de médio porte renovem uma parte significativa da frota em uma única operação.

Incentivo para caminhoneiros autônomos

O programa também reservou uma parcela específica para os autônomos. Serão R$ 2 bilhões destinados exclusivamente a caminhoneiros independentes.

A principal mudança para esse público é a possibilidade de financiar veículos seminovos, e não apenas modelos zero-quilômetro. A medida reduz o custo inicial da compra e facilita o acesso ao crédito.

Além disso, outros R$ 2 bilhões serão direcionados ao financiamento de ônibus.

O que ainda depende de definição

Embora o programa já tenha sido anunciado por meio de Medida Provisória, alguns detalhes ainda precisam ser definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), principalmente:

  • taxas finais de juros;
  • regras operacionais;
  • critérios completos de contratação.

Outro ponto importante é que as MPs precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional em até 120 dias para continuarem válidas.

O governo também pretende fortalecer o Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), que poderá facilitar o acesso ao crédito para pequenas e médias transportadoras.

Vale a pena aderir?

Para empresas com frota envelhecida e altos custos de manutenção, o Move Brasil 2 pode representar uma oportunidade de modernização com condições mais acessíveis do que as linhas tradicionais do mercado.

Entre os principais benefícios estão:

  • juros subsidiados;
  • prazo maior para pagamento;
  • carência de até um ano;
  • possibilidade de financiar volumes maiores.

Por outro lado, alguns cuidados continuam necessários:

  • o programa é limitado a veículos produzidos no Brasil;
  • os recursos podem acabar rapidamente;
  • as condições definitivas ainda dependem de regulamentação.

Antes de aderir, o ideal é que a transportadora avalie o impacto das parcelas no fluxo de caixa e compare o custo do financiamento com os ganhos esperados em manutenção, consumo de combustível e produtividade da frota.

Fonte: https://setcesp.org.br/noticias/