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Fiscalização automática da ANTT pressiona o frete fracionado e expõe desafios no piso mínimo do frete
A intensificação da fiscalização automática da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sobre o cumprimento do piso mínimo do frete, em vigor desde outubro de 2025, tem provocado impactos relevantes no transporte rodoviário brasileiro — especialmente nas operações de frete fracionado.
O novo modelo de monitoramento, mais tecnológico e automatizado, vem ampliando o número de autuações e levantando debates sobre a adequação das regras atuais à realidade operacional do setor.
O que está acontecendo?
O piso mínimo do frete estabelece valores de referência com base em critérios como:
- Distância percorrida
- Tipo de carga
- Número de eixos do veículo
Esse modelo funciona com maior precisão em operações de carga lotação — quando há um único embarcador e um destino definido.
O problema surge quando essa mesma lógica é aplicada ao frete fracionado, modalidade caracterizada por:
- Múltiplos embarques
- Diversos destinos
- Rotas dinâmicas
- Redespachos ao longo do trajeto
Nesse tipo de operação, um único caminhão pode transportar mercadorias de vários clientes simultaneamente, tornando inviável o enquadramento da viagem em uma única regra tarifária.
Aumento das autuações preocupa transportadoras
Desde o início da fiscalização automatizada, transportadoras relatam crescimento significativo nas autuações — principalmente pequenas e médias empresas, que representam cerca de 70% do setor.
As multas variam de R$ 550 a R$ 10.500 por infração, o que pode comprometer operações que já trabalham com margens reduzidas.
Esse cenário amplia:
- O risco financeiro
- A insegurança jurídica
- A complexidade operacional
O impacto do número de eixos e das cargas de baixo valor agregado
Outro ponto sensível é a variação da tabela do piso mínimo conforme o número de eixos do caminhão.
Em cargas de baixo valor agregado — como commodities agrícolas e produtos básicos — o transporte representa uma parcela significativa do custo final. Pequenas alterações na tabela ou autuações indevidas podem tornar a operação economicamente inviável.
Isso gera um efeito em cadeia que impacta:
- Transportadoras
- Embarcadores
- Varejo
- E-commerce
- Consumidor final
Risco de judicialização e aumento do custo logístico
Especialistas do setor defendem ajustes técnicos na regulamentação para considerar as especificidades do frete fracionado, que pode reunir entre 8 e 12 embarques por viagem.
Sem revisão regulatória, o cenário pode evoluir para:
- Aumento da judicialização
- Elevação dos custos logísticos
- Redução da eficiência operacional
- Pressão inflacionária na cadeia de suprimentos
Fonte: https://setcesp.org.br/noticias/fiscalizacao-automatica-da-antt-expoe-falhas-no-piso-minimo-do-frete-e-pressiona-o-frete-fracionado/



