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Fiscalização automática da ANTT pressiona o frete fracionado e expõe desafios no piso mínimo do frete

19 de fevereiro de 2026

A intensificação da fiscalização automática da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sobre o cumprimento do piso mínimo do frete, em vigor desde outubro de 2025, tem provocado impactos relevantes no transporte rodoviário brasileiro — especialmente nas operações de frete fracionado.

O novo modelo de monitoramento, mais tecnológico e automatizado, vem ampliando o número de autuações e levantando debates sobre a adequação das regras atuais à realidade operacional do setor.

O que está acontecendo?

O piso mínimo do frete estabelece valores de referência com base em critérios como:

  • Distância percorrida
  • Tipo de carga
  • Número de eixos do veículo

Esse modelo funciona com maior precisão em operações de carga lotação — quando há um único embarcador e um destino definido.

O problema surge quando essa mesma lógica é aplicada ao frete fracionado, modalidade caracterizada por:

  • Múltiplos embarques
  • Diversos destinos
  • Rotas dinâmicas
  • Redespachos ao longo do trajeto

Nesse tipo de operação, um único caminhão pode transportar mercadorias de vários clientes simultaneamente, tornando inviável o enquadramento da viagem em uma única regra tarifária.

Aumento das autuações preocupa transportadoras

Desde o início da fiscalização automatizada, transportadoras relatam crescimento significativo nas autuações — principalmente pequenas e médias empresas, que representam cerca de 70% do setor.

As multas variam de R$ 550 a R$ 10.500 por infração, o que pode comprometer operações que já trabalham com margens reduzidas.

Esse cenário amplia:

  • O risco financeiro
  • A insegurança jurídica
  • A complexidade operacional

O impacto do número de eixos e das cargas de baixo valor agregado

Outro ponto sensível é a variação da tabela do piso mínimo conforme o número de eixos do caminhão.

Em cargas de baixo valor agregado — como commodities agrícolas e produtos básicos — o transporte representa uma parcela significativa do custo final. Pequenas alterações na tabela ou autuações indevidas podem tornar a operação economicamente inviável.

Isso gera um efeito em cadeia que impacta:

  • Transportadoras
  • Embarcadores
  • Varejo
  • E-commerce
  • Consumidor final

Risco de judicialização e aumento do custo logístico

Especialistas do setor defendem ajustes técnicos na regulamentação para considerar as especificidades do frete fracionado, que pode reunir entre 8 e 12 embarques por viagem.

Sem revisão regulatória, o cenário pode evoluir para:

  • Aumento da judicialização
  • Elevação dos custos logísticos
  • Redução da eficiência operacional
  • Pressão inflacionária na cadeia de suprimentos

Fonte: https://setcesp.org.br/noticias/fiscalizacao-automatica-da-antt-expoe-falhas-no-piso-minimo-do-frete-e-pressiona-o-frete-fracionado/